Historias de sucesso

Com receita da bisavó, designer vira empresária e lucra com bem-casados

No Dia de Santo Antônio, G1 conta história que tem ajuda do ‘casamenteiro’.
Dona de lojas, Camilla Motta lucra com venda do doce símbolo da união.

Reportagem do portal G1 mostra a historia de Camilla Mota, Protetor dos pobres e oprimidos, padroeiro dos objetos perdidos, acalentador das mulheres grávidas. Muitos são os títulos populares destinados a Santo Antônio, mas nenhum deles é tão inspirador para os solteiros como o apelido de casamenteiro. Neste sábado (13), dia em que os católicos prestam homenagens ao santo, o G1 conta a história de uma jovem de 33 anos que mudou de vida ao descobrir em um caderno da bisavó, guardado pela família, a receita de um doce popular na festa daqueles que conquistam o sonho do matrimônio: bem-casado. Depois de inaugurar mais de uma loja, a designer que virou empresária já mandou os doces até para o exterior.

“Ele é a minha vida. Foi através dele que a gente começou tudo”. Assim Camilla Motta se refere ao caderno de receitas, um mostruário de pratos caseiros que passou de geração em geração até chegar às suas mãos. Sem afinidade com a cozinha, mas filha de uma doceira do município de Feira de Santana, a cerca de 100 quilômetros de Salvador, Camilla detalha que foi atraída para o mercado dos casórios meio que por acaso.

“Minha mãe faz bolos de casamento há muitos anos. São os mais famosos da cidade. Toda noiva que chegava até ela perguntava se ela também não produzia bem-casados. Minha mãe nunca se interessou em fazer. Eu me casei [em 2002], mas queria reformar a minha casa. Precisava de grana extra para pagar os pedreiros. Foi quando a minha mãe lembrou dessas clientes [que buscavam bem-casados] e me deu a ideia de passar a fazer os doces com uma receita antiga do caderno da minha bisavó”, detalha.

Camilla destaca que não tinha vocação para a cozinha, mas tinha foco empreendedor. “Foi a oportunidade que eu precisava. Então, fui em frente. Peguei a receita e iniciei os negócios em 2004”, afirma. O marido também entrou no investimento. Ela botou a mão na massa. Ele passou a atuar na compra das mercadorias e administração das finanças.

Bem casados: Camilla Motta e o marido
(Foto: Arquivo Pessoal)

Na primeira semana de negócios, Camilla destaca que precisou comprar um forno extra, graças ao aumento no número de pedidos. O segredo do sucesso repentino, ela sabia onde estava. “Aqui na Bahia, as pessoas gostam de comer coisas amanteigadas. Esse era o nosso diferencial”, revelou um dos segredos guardados nas páginas da bisavó. As receitas tradicionais são feitas com massa de pão de ló, que conta com ovos, farinha de trigo, açúcar e fermento. O recheio costuma ser de doce de leite.

Camilla ressalta que o caderno de receitas tinha registros da década de 40. “Não se tinha muitas medidas. Na época, não existia nem batedeira. A gente adaptou a receita ao nosso tempo”, comenta sobre adaptação de porções, que antes eram contabilizadas com a mão. Outra sofisticação na fabricação dos bem-casados foi a confecção de embrulhos. “Tenho uma variedade de papéis que você não encontra em outros lugares do país”, conta.

Nos cinco primeiros anos do negócio, Camilla explica que produzia os doces em casa. Na época, conciliava a produção com o curso de design de interiores, que fazia em Salvador. Em 2009, destaca que o crescimento do negócio possibilitou a criação de uma loja em Feira de Santana. “Hoje, produzimos um média de cinco mil bem-casados por semana. Já chegamos a produzir para um único casamento cinco mil”, revela.

Crescimento dos negócios
O crescimento na produção já possibilitou que o bem-casado baiano chegasse a países como EUA e Alemanha. Além disso, Camilla já teve clientes em São Paulo, Curitiba, Brasília e Minas Gerais. Na Bahia, costuma também vender para municípios como Serrinha, Cachoeira e Alagoinhas. Cada bem-casado produzido por ela custa R$ 2,70.

Além dos bem-casados, Camilla detalha que passou a produzir cupcake, pirulitos de chocolate, tortas finas, como também pão de mel, alfajor e lembranças personalizadas. Ao lado da loja onde os doces são vendidos, a empresária também montou uma loja que vende presentes voltados para casais.

Casada há 13 anos – e há 11 na comercialização de bem-casados -, Camilla destaca que a venda dos doces já contou com um empurrão de Santo Antônio. Ao menos, é isso que uma das clientes da empresária narra. Camilla detalha que a mulher, de 37 anos, já estava pensando que iria “ficar para a titia”, expressão popular usada para quem não se casa. Após rogar a Santo Antônio, conseguiu pegar um buquê com imagem do casamenteiro. O buquê tinha sido produzido pela empresa de Camilla. “Ela acreditou que, enfim, encontraria o marido. Após pegar o buquê e comer o bem-casado na festa, não demorou muito e ela conheceu um rapaz”, conta.

A fim de não perder o presente de Santo Antônio, Camilla Motta detalha que a mulher procurou a sua loja para encomendar bem-casados, desta vez para o próprio casamento. “Estava pensando que iria ficar para a titia. Quando apareceu a oportunidade, se casou logo. Não podia perder o milagre”, conclui aos risos.

Fonte: http://g1.globo.com/bahia/noticia/2015/06/com-receita-da-bisavo-designer-vira-empresaria-e-lucra-com-bem-casados.html


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